O conceito de risco país pode parecer abstrato à primeira vista, mas sua influência é sentida em cada decisão de investimento. Entender esse indicador é essencial para quem busca proteger e potencializar seu portfólio.
Neste artigo, exploraremos como o risco país é medido, quais fatores o elevam ou reduzem, e de que forma ele molda o cenário econômico e as oportunidades de investimento no Brasil.
Risco país é uma métrica que reflete a confiança do mercado internacional na capacidade de um país honrar suas dívidas. Também conhecido como risco soberano, este indicador compara o rendimento dos títulos nacionais com ativos considerados sem risco, como os títulos do Tesouro dos EUA.
Para o investidor, o risco país traduz a probabilidade de receber de volta o capital aplicado. Quanto maior o risco, maior é o prêmio exigido pelos investidores para assumirem essa exposição.
Em um cenário global cada vez mais conectado, variações no risco país reverberam rapidamente nos preços de moedas, ações e títulos, influenciando diretamente a rentabilidade de carteiras diversificadas.
O principal instrumento de mensuração é o CDS (Credit Default Swap) de 5 anos, equivalente a um seguro contra calote da dívida soberana. Outra ferramenta relevante é o EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus), que monitora o comportamento de títulos de mercados emergentes.
O cálculo baseia-se no spread entre o rendimento dos papéis do país em questão e o rendimento de ativos livres de risco. Cada ponto-base (1bp) corresponde a 0,01%. Por exemplo, se o título brasileiro rende 6% ao ano e o americano 4%, o spread é de 200 pontos-base, ou 2%.
Essa diferença de rendimento incorpora a percepção de risco pelos investidores, incluindo fatores políticos, fiscais e econômicos internos e externos.
O risco país é dinâmico e reflete tanto variáveis domésticas quanto globais. Entender esses elementos ajuda a antecipar movimentos do mercado.
Altos níveis de risco país reverberam em diversos segmentos financeiros, alterando custos, fluxos de capital e a dinâmica de mercados internos e externos.
Esses efeitos podem desencadear uma espiral negativa: menos investimentos levam a menor crescimento, o que por sua vez eleva ainda mais o risco país.
O comportamento do risco Brasil em 2025 revela avanços e desafios. Em 4 de julho de 2025, o indicador estava em 145 pontos, o menor patamar do ano, ante 214 pontos no início de 2025.
Em maio de 2024, o índice chegou a 99 pontos, refletindo otimismo com medidas fiscais e pactos políticos. Porém, a volatilidade voltou a se manifestar ao longo do ano.
Historicamente, o governo Bolsonaro viu o indicador atingir 92 pontos em fevereiro de 2020. Atualmente, a classificação “BB” das agências de rating mantém o Brasil dois degraus abaixo do grau de investimento, exigindo cuidados extras dos investidores.
Monitorar o risco país e adotar estratégias de diversificação é essencial para mitigar impactos. Veja algumas abordagens práticas:
Além disso, o carry trade pode ser aproveitado em momentos de juros altos no Brasil, atraindo capital estrangeiro em busca de rendimentos superiores.
Compreender o risco país é fundamental para qualquer investidor que deseja navegar pelos mercados internacionais e domésticos com segurança. Esse indicador serve como bússola para avaliar custos, retornos e níveis de exposição.
Ao integrar informações sobre política fiscal, cenário global e indicadores econômicos, você estará mais bem preparado para construir um portfólio robusto e resiliente, mesmo diante das oscilações do risco país.
Invista com consciência, mantendo a diversificação e a análise constante das variáveis que moldam o ambiente econômico. Assim, você transforma desafios em oportunidades e potencializa seus resultados no longo prazo.
Referências