O Investimento Estrangeiro Direto (IED) tem se consolidado como um dos principais motores de transformação econômica no Brasil, catalisando projetos de grande escala e atraindo tecnologias inovadoras para o país. Com aportes que ultrapassam a margem de US$ 1 trilhão em estoque, entender esse fluxo de capitais é essencial para empresários, formuladores de políticas e cidadãos interessados no futuro econômico nacional.
Nas últimas três décadas, o Brasil vivenciou uma verdadeira revolução em termos de atratividade de capitais externos. Em 1995, o estoque de IED representava apenas 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB). No final de 2024, esse número saltou para estoque de IED de US$ 1,141 trilhão, equivalente a 46,6% do PIB. Esse crescimento reflete não apenas a reabertura da economia após períodos de instabilidade, mas também a confiança crescente de investidores globais.
Globalmente, o Brasil figura hoje entre os principais destinos emergentes para novos projetos, acompanhando, de longe, líderes como Estados Unidos e China. Nos últimos anos, o país superou a média mundial de crescimento de IED: enquanto o fluxo global cresceu 24% entre 2022 e 2025, o Brasil registrou alta de 67%, impulsionado por políticas de incentivo e reformas estruturais.
Alguns segmentos têm se destacado no volume de aportes estrangeiros, refletindo as vocações naturais e estratégicas do Brasil.
A maior parte dos recursos provém da Europa, que responde por cerca de 50% do IED anunciado no Brasil, seguida pelos Estados Unidos, com aproximadamente 15%. Observa-se também uma crescente participação de investidores da Ásia e do Oriente Médio, que veem no país um parceiro estratégico.
Entre os fatores de atração, destaca-se a estabilidade institucional e macroeconômica, que reforça a previsibilidade dos retornos. Além disso, a neutralidade geopolítica do Brasil favorece a diversificação dos aportes, reduzindo riscos associados a tensões internacionais.
O influxo de capitais estrangeiros traz múltiplos benefícios às regiões receptoras, gerando efeitos multiplicadores em toda a cadeia produtiva.
Esses avanços contribuem para a competitividade nacional, estimulam o desenvolvimento regional e promovem a diversificação econômica.
Apesar dos números animadores, o Brasil ainda enfrenta obstáculos que podem limitar o potencial do IED. Juros elevados e alto custo de capital dificultam os projetos de manufatura avançada, enquanto a competição global fragmentada, com tarifas e barreiras comerciais, impõe desafios externos.
Em contrapartida, as projeções para os próximos anos são promissoras. O Banco Central estima um IED de projeção de US$ 70 bilhões em 2025 (3,1% do PIB), enquanto econometristas apontam para US$ 6,8 bilhões em 2026 e US$ 7,2 bilhões em 2027 em novos projetos.
O IED também se reflete na dinâmica da B3, a bolsa brasileira. Em 2025, houve um aporte de R$ 21,5 bilhões, sinalizando o retorno de investidores que buscam exposição em ações locais. Ainda assim, observou-se um saldo negativo em ações (-US$ 988 milhões em setembro), compensado por um saldo positivo em títulos domésticos de renda fixa, totalizando US$ 14,25 bilhões no acumulado do ano.
Essa interação entre capitais de longo prazo e aplicações financeiras reforça a importância de políticas que promovam estabilidade e atratividade contínua, garantindo que o Brasil permaneça competitivo no cenário global de investimentos.
Referências