Em um mundo cada vez mais conectado e competitivo, as instituições financeiras buscam soluções inovadoras para se manterem relevantes. A digitalização acelerada, o surgimento de fintechs e a mudança no perfil de consumo exigem uma abordagem diferente dos métodos tradicionais de pesquisa e desenvolvimento. Nesse contexto, colaboração entre empresas e startups surge como um caminho eficiente para criar produtos e serviços mais ágeis e personalizados, aumentando a capacidade de resposta às demandas de mercado.
A inovação aberta propõe romper barreiras corporativas e integrar conhecimentos externos ao processo de desenvolvimento. Com ela, bancos, seguradoras e outras instituições financeiras podem acessar tecnologias de ponta sem precisar internalizar todo o investimento em infraestrutura ou mão de obra especializada. O resultado é a aceleração do processo inovador além das fronteiras internas, gerando produtos mais completos em menos tempo.
O termo Open Innovation foi cunhado por Henry Chesbrough em 2003 e define uma filosofia de gestão de pesquisa e desenvolvimento que valoriza a circulação de ideias entre organizações. Ela se baseia em três modalidades principais:
Inbound: foco na absorção de conhecimento e tecnologias externas.
Outbound: compartilhamento das inovações internas com parceiros ou mercado.
Coupled: combinação simultânea de inbound e outbound em processos colaborativos.
Esses modelos permitem a formação de redes de parceiros externos e internos que trabalham de forma integrada, otimizando recursos e ampliando as possibilidades de mercado.
O setor financeiro é historicamente conservador, mas vem passando por uma transformação profunda graças às tecnologias digitais e à concorrência das fintechs. Regulamentações como sandboxes e open banking incentivam a cooperação entre bancos, startups e órgãos reguladores. No Brasil, a atuação do Banco Central, da CVM e da SUSEP criou um ambiente propício para testes e implementações de novas soluções.
Dados da KPMG apontam que cerca de 75% dos executivos de serviços financeiros veem na inovação aberta oportunidades para melhorar detecção de fraudes, gestão de riscos e experiência do cliente. Essa tendência é reforçada pela busca por maior eficiência operacional e pela necessidade de se diferenciar em um mercado globalizado.
Adotar a inovação aberta significa promover uma cultura de experimentação e agilidade, essencial para enfrentar ciclos de evolução tecnológica cada vez mais curtos e complexos.
As instituições financeiras utilizam diferentes estratégias para operacionalizar a inovação aberta. Entre as mais comuns, destacam-se:
Cada modelo pode ser customizado conforme os objetivos estratégicos da instituição, seja para acelerar o desenvolvimento interno ou captar rapidamente soluções já testadas no mercado.
Algumas tecnologias concentram os maiores esforços de inovação aberta no setor financeiro. Inteligência Artificial (IA) é empregada em automação de processos, análise de grandes volumes de dados e prevenção a fraudes e riscos. Blockchain ganha espaço em contratos inteligentes, rastreabilidade de transações e tokenização de ativos.
O Open Banking e o Open Finance mudaram a lógica de compartilhamento de dados, permitindo ofertas hiperpersonalizadas e integradas. Além disso, cibersegurança e digitalização completa de ativos se mantêm na vanguarda das prioridades, garantindo confiabilidade e conformidade regulatória.
O mercado brasileiro se destaca como líder na América Latina em inovação aberta no setor financeiro. Grandes bancos e cooperativas adotaram programas robustos para fomentar o ecossistema de fintechs locais:
Esses números revelam a escala e a diversidade de iniciativas que compõem o ecossistema de inovação aberta no país, evidenciando sua capacidade de gerar retorno para todos os envolvidos.
Superar essas barreiras exige planejamento estratégico, governança clara e investimentos em capacitação de equipes para trabalhar em ambientes colaborativos.
Os benefícios se estendem ao fortalecimento da marca, à expansão de modelo de negócio e à geração de novas fontes de receita, tornando a inovação aberta um investimento estratégico de longo prazo.
A inovação aberta já deixou de ser uma opção para se tornar um imperativo no setor financeiro. Bancos e fintechs que abraçam esse modelo ganham agilidade, eficiência e relevância diante de um mercado em transformação constante. Para avançar, é fundamental construir um ecossistema sólido, que envolva empresas, startups, academia e poder público em uma jornada colaborativa.
Ao olharmos para o futuro, cabe perguntar: de que forma sua instituição está preparando-se para abraçar o próximo ciclo de inovação e transformar desafios em oportunidades reais? O momento de agir é agora.
Referências