Em 2025, o mercado brasileiro de fusões e aquisições alcança patamares inéditos, impulsionado por dinâmicas econômicas favoráveis, protagonismo nacional e setores estratégicos em plena expansão. Os resultados deste movimento reverberam diretamente na consolidação de empresas, atração de investimentos e aceleração da transformação digital e energética das corporações. A análise a seguir detalha números, perfis, impactos e perspectivas para este cenário excepcional.
O Brasil registrou, até maio de 2025, o maior volume de fusões e aquisições dos últimos três anos, com 596 operações e movimentação de R$ 120 bilhões. No 1º semestre, o total chegou a 827 transações, contabilizando R$ 146 bilhões. Embora a PwC aponte nova queda de 19% até setembro, com 1.087 negócios, o país mantém liderança na América Latina, atingindo US$ 37 bilhões em valor e 1,3 mil operações entre janeiro e setembro.
Em um horizonte de 30 anos, de 1994 a 2024, as fusões e aquisições brasileiras somaram 22.257 transações, com média anual de crescimento de 8%. Os dados revelam não apenas flutuações cíclicas — marcadas por crises em 2009 e 2014 — mas também ondas de expansão após reformas de 2017 e no período pós-pandemia.
O protagonismo das empresas nacionais se reflete em cerca de 77% das operações, enquanto investidores estratégicos respondem por 67% dos negócios. Fundos de private equity e agentes financeiros complementam o restante, com forte atuação em oportunidades de maior porte.
Alguns segmentos se destacam por concentrar o maior número de negócios ou valores movimentados, impulsionados por tendências globais e demandas internas.
O movimento de fusões e aquisições exerce influência direta na economia, promovendo sinergias, ampliando eficiências operacionais e impulsionando a digitalização dos negócios. A consolidação de players fortalece cadeias produtivas e estimula a geração de valor em setores antes fragmentados.
Além disso, há mudanças estruturais nos custos financeiros: estudos apontam redução de spread bancário e melhor disponibilidade de crédito, refletindo em custos de capital mais atrativos para empresas menos integradas.
Startups e empresas inovadoras encontram, via M&A, oportunidades de escalar soluções tecnológicas, enquanto corporações tradicionais incorporam talentos e propriedade intelectual, criando ecossistemas mais resilientes.
Apesar do aquecimento, o ambiente de M&A no Brasil não está isento de ameaças. Instabilidade política, mudanças regulatórias e crises externas podem interromper o fluxo de negócios e elevar custos de due diligence.
Outro ponto crítico é a integração pós-fusão: relatos indicam que muitos projetos fracassam por má integração pós-fusão, desalinhamento cultural e objetivos divergentes entre as partes. A falta de sinergia operacional e a ausência de lideranças comprometidas comprometem o sucesso de transações que, em tese, pareciam vantajosas.
O cenário, apesar de globalmente adverso, aponta para continuidade no aquecimento das operações domésticas. A proporção de transações cross-border diminuiu frente ao mercado interno, reflexo da confiança crescente de investidores locais.
Setores estratégicos, especialmente logística e ativos de infraestrutura, registraram expansão de 66,7% no número de acordos no 1º semestre de 2025, mesmo com ticket médio reduzido, evidenciando busca por ativos menores, porém sinérgicos.
Espera-se que o ano feche próximo de 1.400 operações, consolidando um ciclo de maturidade e dinamismo, em que compras de “ativos estratégicos” cresceram 57% em valor agregado.
Alguns exemplos ilustram o poder transformador das fusões e aquisições em diversos setores:
• A formação da gigante Auren/AES Brasil, financiada com R$ 5,4 bilhões em debêntures, remodelou o mercado de geração distribuída.
• A venda da Aliança Geração de Energia pela Vale ao Global Infrastructure Partners, por US$ 1 bilhão, representou uma das maiores operações do semestre.
• No setor de tecnologia, fusões de startups com grandes players aceleraram processos de automação e serviços digitais para indústrias tradicionais.
Para empresas que pretendem participar deste momento singular, algumas práticas são fundamentais:
Em síntese, as fusões e aquisições no Brasil em 2025 refletem não apenas números expressivos, mas a consolidação de um ambiente corporativo mais eficiente, inovador e resiliente. O futuro reserva novas oportunidades para quem souber combinar visão, agilidade e governança sólida, transformando desafios em crescimento sustentável.
Referências