O cenário econômico brasileiro apresenta desafios complexos para a gestão da dívida privada. Conhecer as causas e propor soluções é fundamental para garantir a estabilidade e promover o crescimento sustentável.
Em 2025, o Brasil convive com um déficit fiscal elevado, estimado entre 8% e 9% do PIB, e uma dívida pública que alcançou 77,5% do PIB em setembro. As projeções indicam que, sem ajustes, esse patamar poderá saltar para 81,8% ou até 124,9% do PIB em dez anos.
O Estudo do Banco Central sugere que o Brasil enfrentará uma trajetória de desequilíbrio caso não haja um ajuste fiscal estrutural de pelo menos 3,5% a 4% do PIB. Por outro lado, o crescimento do PIB foi de 3,3% em 2024, mas pode cair a 2,1% em 2025, pressionando ainda mais a capacidade de rolagem da dívida.
Com a taxa Selic em torno de 15% ao ano, o custo do crédito segue alto e agrava o ônus sobre empresas e famílias.
A dívida privada – incluindo empresas e consumidores – atingiu 52,75% do PIB no final de 2024, um recorde histórico desde 2012. O crédito ampliado às empresas já soma R$ 6,7 trilhões.
Esse cenário de alto nível de endividamento privado resulta em maior exposição a riscos de inadimplência e eleva a vulnerabilidade do setor corporativo e das famílias.
A confiança empresarial recuou 8% em fevereiro de 2025, refletindo as incertezas sobre a capacidade de retomada do crescimento.
A taxa de inadimplência do crédito privado deve subir de 4,35% para 4,43% até outubro de 2025. Esse movimento reflete a pressão de juros altos e menor dinamismo econômico.
Sectores como consumo e infraestrutura concentram o endividamento, exacerbando o risco sistêmico em caso de choque financeiro.
A dependência de financiamentos de curto prazo, em sua maioria bancários, limita a resiliência das empresas frente a ciclos adversos.
O mercado de títulos privados – debêntures, CRIs e CRAs – cresceu em volume, mas o retorno ficou abaixo do papel dos títulos públicos para investidores de varejo.
Com spreads e prêmios de risco elevados devido ao cenário fiscal incerto, muitos investidores buscam alternativas mais seguras no Tesouro Direto.
Por outro lado, os instrumentos de dívida sustentável alcançaram USD 67,8 bilhões no primeiro semestre de 2025, mostrando apetite por ativos ESG, embora ainda representem parcela reduzida do total emitido.
Esses fatores dificultam a rolagem da dívida e aumentam o custo de oportunidades de investimento.
Para enfrentar o aperto financeiro, o Brasil deve adotar medidas que fomentem a estabilidade e a confiança:
Essas iniciativas podem reduzir a dependência exclusiva de bancos tradicionais e diversificar fontes de capital.
Na ausência de ajustes fiscais e estruturais, a dívida tanto pública quanto privada tende a continuar subindo, aumentando o risco de crises corporativas e restrição de crédito.
Um cenário de estagnação ou de correções abruptas pode gerar instabilidade, prejudicando empresas, famílias e investimentos.
Portanto, o fortalecimento das regras de governança, a transparência e o avanço do mercado de capitais são peças-chave para um sistema de dívida mais saudável.
Referências