Em um cenário marcado pela necessidade crescente de investimento em saúde, compreender os custos, a eficiência e a acessibilidade torna-se fundamental para garantir o bem-estar coletivo. Este artigo explora de forma detalhada os principais indicadores econômicos do setor, suas tendências e os desafios que moldarão o futuro.
No Brasil de 2025, os gastos totais com saúde atingiram R$ 1,202 trilhão em 2025, representando 9,5% do Produto Interno Bruto. Esse crescimento reflete um aumento significativo em relação a 2024, quando o montante foi de R$ 1,093 trilhão, com projeções de chegar a R$ 1,324 trilhão em 2027.
Além do valor absoluto, o investimento em saúde pública tem efeito multiplicador sobre a economia. Estudo da HTopics/Roche aponta que cada R$1 investido no SUS gera R$1,61 no PIB e R$1,23 de renda adicional para as famílias. Esses resultados evidenciam que a saúde não é apenas um custo, mas um motor de desenvolvimento.
A saúde suplementar registrou no primeiro semestre de 2025 um lucro líquido de R$ 12,9 bilhões, um salto de 131,94% em relação ao mesmo período de 2024. A receita total alcançou R$ 190 bilhões, com margem de lucro de 6,8%.
O resultado operacional médico-hospitalar atingiu R$ 6,3 bilhões (+157%), enquanto o resultado financeiro chegou a R$ 6,8 bilhões (+55,4%). A sinistralidade caiu para 81,1%, o menor patamar para um primeiro semestre desde 2018, refletindo a recomposição de mensalidades superior às despesas.
O desempenho variou conforme o porte das operadoras: grandes empresas lideraram com lucro de R$ 9,7 bilhões (+114%) e as médias surpreenderam com R$ 2 bilhões (+622%).
No segundo trimestre de 2025, o setor apresentou redução de 20% no lucro líquido em comparação ao primeiro trimestre, caindo para R$ 5,5 bilhões. A margem de lucro recuou para 6,7%, e o índice combinado de despesas subiu de 91,8% para 94,2%.
Além disso, 29% das operadoras registraram resultados negativos, contra 21% no trimestre anterior, e o ROE ficou em 12,51%, abaixo dos cerca de 15% pré-pandemia. A sinistralidade subiu para 83%, acompanhada de um aumento de 9,2% nas contraprestações efetivas e 5,8% nos eventos indenizáveis líquidos.
Os custos médicos corporativos devem crescer 12,9% em 2025, acima da média da América Latina (10,7%), porém com leve desaceleração em relação a 2024 (11,7%). Fatores que impulsionam esse avanço incluem:
As condições que mais elevam os custos são doenças autoimunes, cardiovasculares, câncer e questões de saúde mental, cujo impacto vem crescendo desde a pandemia.
A queda da sinistralidade para 81,1% em 2025 e a recomposição de mensalidades acima das despesas assistenciais são sinais de eficiência operacional. No entanto, o aumento das operadoras com resultado negativo e a pressão sobre margens de lucro ressaltam a necessidade de aprimorar processos de gestão e controlar custos.
Mais de 50 milhões de beneficiários fazem parte da saúde suplementar, enquanto a saúde privada é acessível a mais de 53 milhões de brasileiros. Mesmo assim, saúde e custo de vida são as principais preocupações dos consumidores em 2025.
Para os próximos 10 anos, o financiamento da saúde pública precisará crescer em média 3,9% ao ano em termos reais. Em 2030, o recurso necessário deverá exceder o mínimo constitucional em R$ 29,7 bilhões, correspondendo a 2% do PIB, 0,2 ponto percentual acima de 2024.
O desafio é conciliar o ritmo de crescimento das receitas com a urgência de expansão de serviços, tecnologias e cobertura. A construção de um sistema de saúde mais eficiente e acessível exige compromisso público, inovação e gestão rigorosa.
Em última análise, investir em saúde não é apenas uma obrigação legal, mas um ato de responsabilidade social que reflete em qualidade de vida e produtividade. A partir de uma visão integrada de custos, eficiência e acessibilidade, cada decisão, cada real direcionado ao setor pode transformar positivamente a realidade de milhões de brasileiros.
Referências